São Sebastião Verão

Mesmo com proibição, donos levam cães para as praias do Litoral Norte

Foto: Rafael César

Multas variam de R$ 250 a R$1,6 mil nas cidades da região; Animais podem transmitir doenças aos banhistas

Por Rafael César, de São Sebastião

As quatro cidades do Litoral Norte devem receber milhares de turistas durante a temporada de verão 2017 e muitos visitantes – assim como os moradores da região – possuem animais de estimação, que são inseparáveis dos donos. Com isso, na hora que os banhistas vão à praia, acabam levando os “pets” com eles. O risco de contaminação e proliferação de diversas doenças aumenta por conta disso.

A areia da praia é um ambiente propício para o desenvolvimento de vermes adultos. Uma das doenças transmitidas por meio do contato com as fezes de cães infectados e, facilmente, adquirida por humanos na praia é a Larva Migrans Cutanea, mais conhecida como “bicho geográfico”. É uma doença de pele transmitida por larvas de um parasita intestinal comum em cães e gatos chamado Ancylostoma caninum.

“O animal infectado, ao defecar na areia, libera ovos desse verme, que se transformam em larvas e podem penetrar na pele das pessoas, causando feridas, além de uma forte coceira. As partes do corpo mais afetadas são os pés, pernas e mãos. As larvas são muito resistentes às ações do meio ambiente, tais como calor, frio, umidade e seca, podendo permanecer no ambiente por até um ano”, explicou o médico veterinário Celso Filleti.

Foto: Rafael César

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O profissional aconselha que, para evitar a transmissão das doenças, o animal deve ser submetido a exames de fezes a cada seis meses e, se necessário, vermifugado. O hábito de recolher as fezes do animal em locais públicos também auxilia na prevenção.

Todos os municípios do Litoral Norte costumam intensificar a fiscalização nas praias durante o verão e ambos possuem leis sancionadas que impedem a presença dos animais na praia. As multas variam de R$250 a R$1,6 mil nas cidades.

Em São Sebastião existem leis que proíbem os animais na praia desde 1992. Os responsáveis pela fiscalização são membros do setor de meio ambiente do município. A prefeitura local conta também com a ajuda de associações de bairros e moradores. Todas as praias da cidade possuem sinalização que proíbe os animais na areia.

Foto: Rafael César

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Para o salva-vidas Murilo Cavalheiro Nogueira, 34, a maioria dos cães que está na praia da praia de Maresias, por exemplo, são de rua. Ele também afirma que as pessoas se sentem incomodadas quando são abordadas para retirarem os bichinhos da areia.

“Tentamos avisar sobre os riscos causados pela presença dos cães na praia, mas na maioria das vezes o bom tratamento não é recíproco. Maresias tem uma praia muito extensa e acho que esse é o motivo da fiscalização ser tão falha. Em Barra do Sahy não costuma ter esse número de cães que encontramos aqui, no entanto, a fiscalização é mais ferrenha por parte da associação do bairro que retira o animal na hora”, relatou.

A ambulante Valéria Oliveira Dutra se diz surpreendida com a forma que os donos dos “pets” tratam os animais. Segundo ela, a relação dos proprietários dos animais com eles são como filhos, e que, até cadeira para os bichos alguns turistas costumam pedir.

De acordo com o professor de surfe Alexsandro dos Santos, 38, conhecido como Abolição, a cena de pessoas caminhando com os animais na praia é constante e para ele o fato de alguns donos recolherem as fezes dos bichos não elimina o risco de contaminação. Ele confirma que ninguém gosta quando é avisado sobre os riscos e doenças que os cães representam próximo ao mar.

Foto: Rafael César

Foto: Rafael César

Outros municípios

Em Caraguatatuba, o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) é o órgão responsável pela fiscalização. A lei que regulamenta a proibição é válida desde 2006. Se algum proprietário for flagrado passeando com o animal e se recusar em deixar a área, a polícia é acionada e o bicho é aprendido.

A recuperação só será feita no CCZ mediante pagamento da multa, a taxa de recolhimento e de permanência do animal no abrigo, além de um microchip que é colocado no animal para facilitar a identificação. A multa na cidade vai de R$ 250 a R$ 1.250.

Em Ubatuba, a fiscalização também é feita pelo CCZ com prioridade para as praias da região sul e central. Os locais de maior incidência de registros são na Praia Grande e na Praia de Maranduba. O valor da multa varia de R$ 220 a R$ 1,6 mil e a pessoa tem dez dias para recorrer.

Em Ilhabela, existem cerca de 600 placas informativas. Do Jabaquara (norte) até o Cabaraú (sul), todas as praias voltadas para o Canal de São Sebastião receberam a sinalização. São 14 fiscais entre servidores da Vigilância Sanitária, Divisão de Fiscalização e Secretaria de Meio Ambiente trabalham na orientação das pessoas quanto à proibição e por meio de advertências verbais. O valor da multa é de R$ 500 e a pessoa pode recorrer dentro do prazo determinado pela legislação municipal que é de 30 dias.

Foto: Rafael César

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