Caiçara Cultura

Livro resgata e valoriza a cultura caiçara do Litoral Norte

A jornalista Bruna Briti, teve sua tese de doutorado “A Cultura Caiçara no Litoral Norte Paulista”, transformada em livro. O e-book pode ser adquirido no link: http://bit.ly/2MI1vkx. São 572 páginas, nas quais, Bruna retrata a vida e a cultura caiçara. Um documento importante que resgata e valoriza a cultura caiçara

Por Salim Burihan

Bruna nasceu em Guaratinguetá, na adolescência, mudou para Caraguá, onde cursou o colégio na escola estadual Colônia dos Pescadores. Fez jornalismo na UNIMEP(Faculdade Metodista de Piracicaba(S)).

Apesar de não ter nascido na região, pode ser considerada uma “caiçara de alma”. É casada com um Carlota, uma das famílias caiçaras mais antigas de Caraguá, que vive na praia do Massaguaçu.

Bruna trabalhou em vários jornais da região, entre eles, o Expressão Caiçara, o Imprensa Livre e na revista Beach & Co, de Bertioga.

Fez mestrado e doutorado na UNIMESP(Universidade Metodista de São Paulo). Atualmente é consultora da Agência GenteCom, com sede em Caraguá.

Jornalista Bruna Briti, autora do livro sobre a cultura caiçara do Litoral Norte

Bruna conta que para elaborar sua tese, hoje, transformada em livro, pesquisou 30 reportagens feitas pela revista Beach & Co, 40 livros, parte deles sugeridos pelo pesquisador Carlos Diegues, da USP(Universidade de São Paulo), especialista em cultura caiçara.

Conta que procurou pesquisar tudo o que se referia ao caiçara do Litoral Norte: cultura, gastronomia, agricultura, festas tradicionais, pesca e religiosidade.

“O termo caiçara é utilizado apenas no litoral de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro”, explicou ela. A tese foi concluída em 2014 e mais recentemente, Bruna foi procurada por uma editora interessada em transformar sua tese em um livro.

O livro detalha com riqueza a vida caiçara do Litoral Norte, mas traz uma triste realidade: o caiçara está em extinção.

Canoas caiçaras, na Praia do Bonete, em Ilhabela

A maioria dos caiçaras foi vendendo as áreas que habitava a beira mar para os turistas e, aos poucos, foi deixando de pescar, por falta de peixe.

“Não tem mais como o caiçara sobreviver do mar, da pesca, não tem mais a fartura de peixe que tinha antes. Os filhos dos caiçaras, aos poucos, também foram se desinteressando pela pesca”, relata.

Segundo ela, os caiçaras foram em busca de outras opções de vida. Hoje, são funcionários das prefeituras, da construção civil, trabalham em outras atividades.

“Todos eles sentem orgulho de suas raízes caiçaras. Valorizam e preservam o meio ambiente, suas tradições e culturas”, constatou Bruna.

Bruna explica que os poucos caiçaras da região podem ser encontrados nos entreposto de pesca ou em bairros, como o São Francisco, em São Sebastião; Massaguaçu e Tabatinga, em Caraguá; em Picinguaba e comunidades tradicionais de Ubatuba; e em praias isoladas e ilhas de Ilhabela.

Os caiçaras tradicionais não tinham ganância, viviam do dia a dia da pesca e da lavoura em seus quintais. Com a especulação imobiliária, venderam suas áreas à beira mar a preço de banana e foram morar em bairros periféricos.

Apesar disso tudo, da escassez da pesca, das dificuldades em se adaptarem a nova vida, sentem orgulho de serem caiçara. De serem os primeiros habitantes das praias da região. Em sua pesquisa, Bruna constatou ainda, que as fundações culturais da região poderiam resgatar com mais intensidade a vida dos caiçaras.

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