Justiça São Sebastião

TJ condena Prefeitura e empresa a indenizar em R$ 350 mil família de estudante

Família considera o valor baixo e deve recorrer, outras famílias ainda aguardam decisão da justiça sobre indenizações

Por Salim Burihan

O Tribunal de Justiça condenou a Prefeitura de São Sebastião, a empresa União do Litoral e a Nobre Seguradora a indenizar em R$ 350 mil os pais da estudante Gabriela Silva Oliveira dos Santos, uma das vítimas do acidente com ônibus que transportava universitários de Mogi das Cruzes para São Sebastião, em junho de 2016.

Gabriela, de 22 anos, trabalhava com o pai, na barraca de praia, em Barra do Una.

A decisão do TJ foi dada no dia 18 passado e tanto a prefeitura, como a União do Litoral poderão recorrer do parecer dado pela 14ª Câmara de Direito Privado do TJ. O valor da indenização foi estipulado levando-se em conta quanto a estudante, após formada em engenharia (ela cursava o quarto ano) ganharia após formada.

Gabriela, que tinha 22 anos, morava em Barra do Una onde seus pais vivem seus pais, Marcos de Oliveira, 52 anos e dona Nalva Oliveira, de 54, que vivem da renda obtida em uma barraca instalada na praia há 30 anos, onde Gabriela também trabalhava.

Discorda

 

Dona Nalva ficou muito abalada com a perda da filha, a mais velha da família. Ela tem ainda um filho de 16 anos. Fez tratamento durante dois anos e só agora, voltou a trabalhar na barraca da praia.

Ela disse não concordar como valor da indenização. “Nada vai pagar a perda da minha filha, mas não acho justo o valor estabelecido”, comentou. Dona Nalva vai entrar em contato com o advogado José Cretela Neto, que defende a causa, para obter mais informações da decisão do TJ.

Prefeitura

A Prefeitura de São Sebastião informou que ainda não foi notificada da decisão do TJ e que irá se pronunciar somente após ter conhecimento da decisão. A União do Litoral não retornou os contatos feitos até o fechamento da matéria. A reportagem não conseguiu contato com a empresa Nobre Seguradora.

Famílias

O advogado José Beraldo, que defende outras 12 famílias de universitários mortos no acidente, também considerou muito baixo o valor dado a causa de Gabriela. Segundo ele, o ideal seria o pagamento de 500 salários mínimos para cada uma das famílias.

José Beraldo informou que a ação que está sob sua responsabilidade, ainda permanece em São Sebastião, aguardando decisão da justiça local.

“Conseguimos no STF(Supremo Tribunal Federal) o bloqueio de 30 ônibus da empresa, mas sempre tem recursos”, disse.

Acidente

O acidente com o ônibus que transportava os estudantes ocorreu às 23 horas, do dia 8 de junho de 2016, quando os universitários retornavam de Mogi para São Sebastião. O ônibus da União Litoral, contratado pela prefeitura, perdeu os freios e tombou em um barranco. Das 46 pessoas que se encontravam no ônibus, 18 morreram, entre elas, o motorista do coletivo.

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