Caraguatatuba Saúde

Caraguá registra oito casos de malária

divulgação

Maioria dos casos são de trabalhadores na duplicação da Tamoios

 

Por Adriana Coutinho

A Secretaria da Saúde registrou oito casos de malária em Caraguatatuba. Porém, segundo técnica da Vigilância Epidemiológica, não há motivo de preocupação. Foram medicados, acompanhados e já são considerados curados. Seis deles são trabalhadores na obra de duplicação da Tamoios. Outros são importados, oriundos de outros municípios, onde foram picados.

Esses casos foram detectados após um biólogo da Concessionária Tamoios apresentar os sintomas em junho de 2017 e tratar-se em São Paulo, onde reside. Devido às obras encontrarem-se na área do município, a Vigilância Epidemiológica e a SUCEN – Superintendência de Controle de Endemias, foram notificadas e em novembro fizeram a chamada busca ativa.

“Estivemos em vários pontos da estrada, em quilômetros diferentes e dentro da Fazenda Serramar. Eles foram trazidos até a SUCEN e realizamos a coleta de material. Fizemos 271 lâminas de busca ativa, que foram encaminhados para o setor de Vigilância Epidemiológica dentro do Hospital Municipal de São José dos Campos, que é o nosso hospital de referência”, conta a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Elizabeth das Neves dos Santos.

Seis deles tiveram resultado positivo, receberam a medicação cedida pelo Estado, que segundo a enfermeira, já volta com o motorista, caso o resultado seja positivo. “Receberam os medicamentos, foram monitorados com exames posteriores (lâmina de cura) e estão todos curados.  Não há motivo para campanhas municipais, já que os casos foram contraídos em mata fechada. As pessoas só podem ser infectadas se adentrarem quilômetros adentro da mata”, enfatiza.

Segundo ela, após esses casos confirmados, devido ao desmatamento a Vigilância Epidemiológica por meio da médica responsável pela Infectologia do município, fez um treinamento para enfermeiros e médicos da Secretaria da Saúde para identificar possíveis casos da doença.

Casos – Dois dos outros casos, um é de Ubatuba e o outro ocorreu em março deste ano, no município. O músico Alexandre Marinho Nunes, 46, de Caraguá, foi diagnosticado com malária. Repensando seu recente deslocamento pela cidade, acredita ter contraído a doença em seu terreno no bairro do Massaguaçu. “Foi o único local diferente que fui nos últimos meses, fica perto da mata, bem no fundo do bairro. Estive também na praia da Ponta Aguda, mas foi um dia antes de começar a febre e o ciclo de início é de mais de uma semana de incubação”, conta.

Terminou o tratamento e diz que está 90% bem. “Estou quase bom, mas passei maus bocados desde o início. Agora estou sendo acompanhado pela Vigilância Epidemiológica da cidade e aguardando o ciclo da doença para fazer os últimos exames confirmando a cura.” Nunes teve febre alta por vários dias e sintomas parecidos com a dengue.

A dificuldade – O músico conta que fez exames de sangue, mas nada foi detectado e continuava com 40º de febre quase diariamente, por quase duas semanas, tendo recorrido a um infectologista particular de São Sebastião, que identificou ser malária.  “Ele me deu uma carta de recomendação para que realizasse um exame específico em Caraguá, onde resido.  Tentei no CEM-CEO (Centro de Especialidades Médicas ), mas disseram que não faziam o exame ali e fui à UPA. Mostrei a carta do infectologista e a médica que me atendeu disse que na cidade não havia esse tipo de exame, só em grandes centros. Fiquei indignado, mas ela deixou bem claro que aqui não faziam”, desabafa.

Alexandre está se recuperando após 1 mês de tratamento

Nunes conta que retornou a São Sebastião no mesmo dia, fez a coleta de material que foi enviado a São José dos Campos, teve confirmação e recebeu toda a medicação necessária para realizar o tratamento.

“Foram dias duros, com febre de 40º praticamente todos os dias e quando soube finalmente o que eu tinha fiquei mais tranquilo até. Agora estou bem, mas me preocupa a UPA dizer que não coleta o material sendo que eu tinha em mãos uma solicitação de um infectologista indicando ser malária”, enfatiza o músico.

Prefeitura – Sobre o caso de Alexandre Nunes, a coordenação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) informa que no momento em que o paciente solicitou os exames, ele estava na fase assintomática da doença. Ou seja, sem nenhum sintoma. Com isso, de acordo com a coordenação, o paciente foi sim, informado de que haveria uma notificação sobre o caso para a Vigilância Epidemiológica (VE) do município, como de fato foi feito. Logo que o paciente saiu da unidade, a profissional da VE responsável pelas notificações entrou em contato com o mesmo para o encaminhamento ao exame, mas o mesmo já havia buscado por auxílio em São Sebastião por conta própria; pois no mesmo dia o contato foi feito. “Todo o procedimento quanto ao caso foi tomado corretamente na unidade e o mesmo já passa por acompanhamento desde então”.

A reportagem também entrou em contato com a Concessionária Tamoios, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

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