Geral São Sebastião

Em ponto de ônibus, moradores organizam reunião para reivindicar melhorias no transporte público e em ponte da Costa Sul

Fotos: Ivanio de Abreu

Vice-prefeito de São Sebastião garantiu terminal rodoviário em Boiçucanga; Ecobus também participou do encontro e esclareceu dúvidas da comunidade

Por Rafael César, de São Sebastião

Cerca de 50 moradores do Sertão de Cambury, Costa Sul de São Sebastião, compareceram em uma reunião no ponto de ônibus do 2800 na tarde da última terça-feira (28). O encontro contou com a presença do vice-prefeito, Amilton Pacheco (PSB), e também de três representantes da empresa responsável pelo transporte público do município, a Ecobus.

Entre as principais reivindicações estavam a construção da ponte 2800, a organização do horário dos ônibus dentro do bairro e a pavimentação da avenida principal. A ideia de organizar o encontro, que durou mais de duas horas, partiu da própria sociedade civil em conjunto da Associação de Moradores de Cambury, VIVA Cambury.

As primeiras discussões foram em torno do assunto dos horários dos ônibus que circulam dentro do bairro.

“Tinha que pegar a condução para ir fazer exames, pois estava grávida. O problema é que era um mistério saber o horário certo que o ônibus ia passar e várias vezes acabei perdendo meus compromissos por causa disso. Eu utilizo o transporte e sofro muito com tudo isso”, reclamou a dona de casa, Francicléia de Sousa, 27.

Outro morador que se diz indignado com a Ecobus é o autônomo Silvano Fontenele, 39, que afirma que alguns motoristas da empresa passam em alta velocidade na avenida principal do Sertão do Cacau e acabam assustando muitas pessoas. Ele chegou a pensar que os governantes tinham esquecido do bairro que ele escolheu para viver.

“Já houve outras reuniões com gestores de administrações passadas e nada adiantou. Não consigo acreditar que os problemas serão resolvidos tão fácil assim”, comentou o autônomo.

A ponte do 2800 foi levada por uma enxurrada há dois anos e cinco meses. Uma obra de reconstrução começou a ser executada, mas nunca foi concluída. Com isso, donos de automóveis têm que passar com os carros dentro do rio e utilizar uma passarela para transitar a pé.

“Se começa a chover a comunidade já fica com medo, pois acabamos ficando ilhados. Eu tenho carro e gasto muito com revisões e consertos por ter de passar por dentro deste rio. Para pessoas que possuem carros maiores é possível a travessia, quem sofre são aqueles que têm carros menores por não conseguir atravessar” relatou o zelador, Edinaldo da Silva Santana, 44.

Ecobus presta esclarecimentos e pede auxílio da população

Os representantes da empresa tiveram que dar muitas explicações em relação ao horário da linha 61, que sai do Cascalho e vai para o Sertão de Cambury. Outra reclamação feita para os membros da concessionária é a forma como os motoristas dirigem no percurso.

O gerente geral da Ecobus, Egno Oliveira dos Santos, confirmou que dentro do Sertão do Cacau não existem horários fixos por ser uma linha de passagem. Ele garantiu que dois funcionários da empresa vão acompanhar a linha e elaborar a lista de horários conforme cronograma atual do trajeto.

Em relação à condução inapropriada dos motoristas, Oliveira informou que os discos de tacógrafos são analisados diariamente na garagem de Cambury e também na Central. Segundo disse, a empresa faz reuniões constantes com os motoristas para instruí-los nesta questão de alta velocidade, direção defensiva e atendimento ao cliente.

“O único problema é que trabalhamos com pessoas e acabamos ficando expostos a erros. Pedimos a população que em casos como este anotem o prefixo do ônibus, a data, o horário e o local onde o condutor estava em alta velocidade para conseguimos aplicar uma punição administrativa”, completou.

Para o gerente, um modo de ajudar o motorista seria os usuários adquirirem o bilhete eletrônico (cartão de transporte) no posto de venda da Rodoviária de São Sebastião. No bairro de Boiçucanga é possível recarregar o cartão com passagens na lotérica com o desconto de R$0,20 (o preço integral é de 3,80) e o número mínimo de passagens é de dez por cartão.

A diretora da associação de bairro, Ingrid Reis, falou que o acordo e o desfecho da conversa com os representantes foram positivos. “Os ônibus aos sábados irão passar pelo bairro até as 19h e não mais só até às 18h, o horário também servirá para o domingo que quase não existia ônibus”, disse.

Moradores vão cobrar compromissos firmados por vice-prefeito

O vice-prefeito, Amilton Pacheco, respondeu as perguntas de muitos munícipes durante a reunião e ficou até o final do encontro. Ele afirmou que gosta de trabalhar na rua e não dentro do gabinete, por isso, não achou inusitada a reunião no ponto de ônibus.

O atendimento dos funcionários do PS (Posto de Saúde) do bairro, falta de estrutura do local e ausência de remédios foram temas citados por muitos moradores.

“O prefeito acabou de fechar um acordo com o Estado para os funcionários da saúde do município receberem um treinamento de atendimento ao cliente com profissionais da rede estadual. O motivo de estar faltando até dipirona é porque não houve a renovação de contrato com o laboratório que fornecia os remédios para a rede. Esse problema será sanado dentro de uns 15 dias, pois a administração vê a saúde como prioridade”, complementou Pacheco.

O vice explicou também que, com o término do prazo de revisão de contratos, os processos licitatórios começaram e que em cerca 90 dias tudo já estará adiantado, possibilitando o início da construção da ponte. Ele disse que, dentro desse prazo, já estarão inclusos os materiais e a mão-de-obra.

Em relação ao transporte público, Pacheco revelou que a administração irá construir um terminal rodoviário em Boiçucanga para contemplar um acordo fechado com os gestores da cidade vizinha de Bertioga, que farão um terminal na divisa dos dois municípios para equilibrar o fluxo de ônibus e dar uma melhor estrutura para os passageiros e também às empresas.

Sobre a avenida do Sertão do Cacau, o vice-prefeito disse que a administração pretende oficializar as ruas para que obras possam vir a ser executadas no perímetro. Segundo informou, este processo é demorado por necessitar de mapeamentos e ter que passar por um processo burocrático. Mas mesmo assim, o vice-prefeito garantiu que a administração não negará esforços para que as ruas sejam reconhecidas pela prefeitura.

De acordo com Ingrid Reis, muito foi prometido e pouco acabou resolvido. “Daqui a 90 dias, no dia 27 de junho, iremos nos reencontrar com o Amilton Pacheco para ver o andamento das coisas. A reunião será no Caminho do Meio na casa de uma moradora, quem estiver interessado basta acompanhar as atualizações pelas redes sociais”.

A representante da associação esclareceu que foi elaborada uma ata com todas as demandas e melhorias apontadas pela comunidade e que ofícios serão feitos nas secretarias responsáveis pelas pastas. Caso não ocorra o cumprimento do acordo, uma ação será movida no MP (Ministério Público), ou haverá uma mobilização pública no Centro Histórico de São Sebastião.

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