São Sebastião

Entregues em 2012, estruturas da Rua da Praia sofrem com abandono e vandalismo

Foto: Rafael César

Alguns quiosques estão depredados e servindo de moradia para andarilhos; estado é de abandono e falta de manutenção

Por Rafael César, de São Sebastião

Inaugurado em 2012 e com investimentos de R$ 4,7 milhões, o Complexo Turístico da Rua da Praia, de São Sebastião, já não é o mesmo menos de quatro anos depois. Falta de manutenção e a ação de vândalos tem gerado a deterioração do espaço, que foi anunciado como um cartão postal da cidade.

Dois quiosques próximos ao píer estão depredados. Eles foram projetos para funcionar como lanchonetes e restaurantes, mas o modelo não deu certo: o custo para utilizar o espaço era alto e o retorno pequeno, segundo relato dos antigos usuários. Por conta disso, o local ficou abandonado e foi dominado por andarilhos, que fizeram do espaço moradia, e também usuários de drogas.

O banheiro masculino, localizado dentro do Complexo, está totalmente pichado e sujo; dos 13 quiosques que deveriam ser utilizados pelos artesãos locais, apenas um funciona. Além disso, o Anfiteatro que é usado para diversos eventos, também se encontra pichado.

Dentro dos dois quiosques que deveriam funcionar comércios é possível encontrar, peças de roupas, muita sujeira e dejetos por toda parte. Além do mais, portas, pias e janelas foram quebradas e arrombadas.

“Acho tudo isso um descaso com o dinheiro público. A Rua da Praia é um lugar bonito e gosto de visitá-lo de vez em quando, mas estou vendo um certo desgaste já. O município tem poucas áreas de lazer e as que têm estão sendo destruídas”, comentou Gisele Bertolino, 22, funcionária de um condomínio em Juquehy, que estava de passagem pelo centro da cidade.

Para Gisele, existem banheiros públicos que devem ser evitados e o da Rua da Praia é um deles. “Sou mulher e não é fácil usar qualquer banheiro público. São vários os riscos, imagino que para os homens seja mais fácil”, completou.

A estudante de gestão portuária, Sabrina Aparecida, 22, lamentou a ação dos vândalos no espaço. Segundo ela, falta de segurança é um problema do município. Para ela, a população deveria se conscientizar e também ter mais educação. “Tenho medo de andar em vários lugares da cidade, muitos pontos são escuros, sempre ando com um grupo de amigas. Não tem benefício nenhum à pessoa que destruí o patrimônio público, isso é um absurdo”.

Osvaldo Santos, 51, que trabalha com manutenção geral, tinha acabado de utilizar o banheiro masculino e sugeriu que a Prefeitura contratasse os serviços dele. “Pelo menos, tem água para lavar as mãos. No entanto, o resto vai de mal a pior. Os vasos, o mictório, as lixeiras que são latas de tinta furadas e as paredes que estão completamente pichadas e precisam de uma reforma. Acho que a manutenção deveria ter data para acontecer, porém, as pessoas que fizeram isso deveriam ser punidas e a população ter mais educação com outro”, disse.

Segundo a artesã, Maria Eugênia Nogueira dos Santos, 46, ela é a única que utiliza a Praça do Artesão para vender sua produção. “Sou munícipe e tenho a minha licença para trabalhar aqui e gostaria que mais pessoas tivessem. Os quiosques dos artesãos estão sendo alvos dos vândalos e ponto de uso de drogas, além de dormitório de moradores de rua. Para mim, é lamentável essa situação”, completou.

As rondas da GCM

O comandante da GCMSS (Guarda Civil Municipal de São Sebastião), Edson Rosalvo da Silva, afirmou que as rondas e patrulhamentos são constantes pelo perímetro do Complexo Turístico e que os atos de vandalismo ocorrem na calada da noite, em momentos em que os guardas se ausentam para fazer rondas em outros locais.

“O perfil das pessoas que praticam esses atos, geralmente, são adolescentes que querem se aparecer para os amigos, usuários de drogas, ou, moradores de rua que buscam um abrigo. Existem muitas situações e perfis, entretanto, a falta de educação e respeito pelo próximo é notável nesses criminosos”, explicou.

O comandante relata que a Rua da Praia possui uma área muito aberta e para uso e fruto de qualquer pessoa, o que dificulta o controle total da segurança. Ele também confirma que a maioria dos atos são praticados por menores de idade.

“Nas abordagens que já fizemos, nós encaminhamos o meliante para a delegacia e lá é feito o Ato Infracional. Se o vândalo for menor de idade é chamado o pai ou a mãe e entregada à tutela, após isso, a pessoa é solta e será aconselhada a procurar seus direitos antes do juízo. A pena depende do caso e da analise do juiz”, complementou.

A GCM possui um contingente de 58 homens e nove viaturas, porém, apenas 26 guardas trabalham nas ruas em revezamento de turnos, os outros 32 trabalham em postos fixos. Na opinião de Edson, a solução para o problema está na vigilância feita por câmeras de segurança.

“Temos 38 câmeras instaladas pela cidade e nem todas estão funcionando, pois estamos passando por um processo de manutenção, substituição e ampliação do sistema de monitoramento. Está sendo criado um novo ponto de monitoramento na rodoviária, onde terá duas salas para acompanhar o que está acontecendo no Centro e no Complexo. O sistema contará com mais 50 câmeras funcionando, a licitação já foi feita e o projeto de monitoramento logo estará apto”, informou Edson.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Sebastião para saber se há algum projeto para reformar o local e dar alguma outra destinação aos espaços contruídos, mas não teve um retorno até o fechamento.

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