Cidades Ubatuba

Indígenas da Aldeia Rio Bonito ainda esperam construção de ponte

Indígenas da Aldeia Rio Bonito / Foto: Renata Takahashi

Em novembro de 2021, a prefeitura de Ubatuba assinou um contrato de R$ 308.512,16 com a empresa J. Arcos Engenharia e Construções, para a construção de uma ponte pênsil de acesso de pedestres à Aldeia Rio Bonito, no sertão de Itamambuca. Passados mais de seis meses, a obra ainda não começou. Questionada pelo portal Tamoios News, a prefeitura disse que “a previsão para início das obras é o mês de junho”.

De acordo com a prefeitura, “a obra ainda não foi iniciada pois a empresa foi contratada para executar a obra e produzir os projetos executivos, os quais estavam em nível básico na época da licitação e contratação”.

Os projetos foram completamente refeitos pela empresa e passaram por diversas análises da comissão técnica da Defesa Civil do Estado, a responsável pela maior parte da verba que será destinada ao contrato.

Projeto básico da ponte, antes de ser refeito pela empresa. (Fonte: Edital nº 99/2021, Processo nº 9.163/2021)

 

“No momento os projetos tiveram um aceite por parte do estado nos arquivos digitais, e agora a prefeitura aguarda o aceite dos documentos físicos enviados na semana passada, para a liberação da verba e início das obras”, esclareceu a prefeitura.

Enquanto isso, os 47 indígenas da etnia Guarani Mbya que vivem na Aldeia Rio Bonito enfrentam dificuldades com a falta da ponte. Atividades cotidianas são afetadas sempre que chove e o rio sobe, dificultando ou impedindo a travessia a pé do rio Itamambuca.

Levar artesanatos para vender na cidade, a ida das crianças à escola localizada no bairro Prumirim e o atendimento pela equipe que cuida da saúde indígena são alguns exemplos de atividades importantes que acabam prejudicadas, conforme explicou a liderança Ivanildes Kerexu.

“A gente fica várias vezes ilhado. O máximo de tempo que a gente ficou ilhado foram dez dias sem conseguir passar. Mas várias vezes a gente fica um, dois, três dias sem conseguir passar. Crianças ficam do outro lado do rio sem poder passar pra aldeia, aí a ajuda vem de apoiadores, que cedem um lugarzinho pra eles ficarem até o nível do rio baixar”, contou Kerexu.

Segundo ela, essa é a principal demanda da comunidade hoje. “A gente está esperando que isso aconteça o mais rápido possível, a construção da ponte é muito necessária para nós”, concluiu.

Por Renata Takahashi / Tamoios News