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Ex-aluno de escola pública de Ubatuba é aceito em diversas universidades federais

O jovem José Paulo Rodrigues dos Santos, 21 anos, nascido em Ubatuba, é um exemplo de que determinação, esforço e disciplina nos estudos podem mudar completamente o rumo de uma trajetória de vida. Após anos estudando em escolas públicas da região, ele conseguiu ser aceito em diversas universidades públicas, como UFRJ, UNIFESP, UNB e UFSC, onde atualmente é aluno do curso de graduação de Administração de Empresas. 

“Eu sou o primeiro da minha família a ingressar no ensino superior e o primeiro de todos meus parentes, contando os muitos primos ubatubanos, a ingressar em uma universidade Federal/Pública. Meu padrasto é analfabeto e minha mãe estudou somente até a quarta série do fundamental”, conta o jovem. “Também sou a primeira pessoa da minha família a ser fluente em um segundo idioma e sei o quanto isso foi importante para mim me abrindo diversas portas em processos seletivos”, complementa.

José Paulo acredita que sua história pode inspirar outros alunos de Ubatuba que questionem se é possível conquistar uma vaga em universidade pública tendo saído de escolas públicas da região. “Comumente, sendo nativo daqui de Ubatuba, não temos muitos bons exemplos nem conhecemos muitas pessoas que passaram por este processo”, observa o universitário.

O jovem estudou do Jardim de Infância ao 1° ano do Ensino Médio em escolas públicas de Ubatuba. Por ser da região sul do município, nos dois últimos anos do Ensino Médio estudou em uma escola de Caraguatatuba, também pública. “Estudei no Áurea, localizado no bairro Sertão da Quina, do 6° ano do fundamental ao final do 1° ano do ensino médio. Lembro bem que diziam que o Áurea era considerado uma das piores escolas do litoral norte. Nos dois últimos anos do ensino médio estudei no Thomaz Ribeiro de Lima”, relembra.

José Paulo terminou o Ensino Médio em 2017. Em 2018, já estava na UFRJ cursando Biologia. Mas decidiu largar esse curso e em 2020 ingressou no curso de Administração da UFSC. “Sou originalmente do bairro Sertão do Ingá, mas desde os 10 anos morei no Araribá, mais especificamente na Vila Santana. Acredito ter sido a primeira pessoa de ambos bairros a ingressar em universidades federais”, destaca.

Hoje, além de estar em uma ótima universidade, o jovem trabalha remotamente como assistente de marketing para uma grande empresa de B2B dos Estados Unidos. Recentemente, também fundou uma plataforma que visa ajudar pessoas com inglês intermediário a atingir a fluência (comoingles.com.br).

Desafios enfrentados e dicas para os estudantes

José Paulo não chegou a fazer cursinho. O universitário conta que tinha facilidade nas ciências humanas e biológicas, então com a ajuda de um professor percebeu que deveria focar nas ciências exatas. Ele afirma que se preparou muito estudando online. Sua principal plataforma de estudo, sobretudo para matemática, foi o Khan Academy, uma organização sem fins lucrativos dos EUA que tem uma metodologia gamificada para os estudos. 

Algumas dicas de José Paulo para os alunos de escolas públicas que desejem ingressar em boas universidades são: estudar o modelo das provas de vestibular, realizar simulados no tempo estipulado para a realização dos exames, praticar redação, priorizar os estudos com seriedade e pedir o apoio da família.

“Uma coisa que foi difícil na minha casa era ter silêncio para estudar. Eu ia para diversos locais públicos do Sertão da Quina, durante o dia, para sentar e estudar um pouco. Como o morro da Emaús. Fui lá diversas vezes. Sempre pensei que devia haver uma biblioteca pública na região sul de Ubatuba. Ou ao menos uma sala de estudos de fácil acesso”, sugere José Paulo. “É sempre difícil traçar caminhos novos, nunca traçados antes”, pontua o universitário. 

Uma opção para alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica se prepararem para vestibulares e Enem são os cursinhos populares, como por exemplo os que são oferecidos por estudantes da USP.

*Texto: Renata Takahashi/ Tamoios News