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Explosão do navio Alina P, em Barequeçaba vai completar 30 anos

O petroleiro Alina P atracou no Terminal Almirante Barroso (Tebar) em 23 de dezembro de 1991. Ele carregava 47 mil toneladas de óleo cru, procedentes do poço de Piraúna, na Bacia de Campos (RJ). Assim que o navio concluiu o descarregamento no dia 30 de dezembro de 1991, rumou para o canal sul de São Sebastião e foi fundeado na frente da praia de Barequeçaba. Em seguida houve uma violenta explosão em um dos 15 tanques de compartimento de carga que deu início ao incêndio.

De acordo com matérias publicadas na época pelos jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo, seis rebocadores da Petrobrás foram acionados para apagar o incêndio. A explosão do petroleiro “Alina P” foi notada até em Paraty, que fica a 155 km de São Sebastião.

O petroleiro levava 24 tripulantes de diferentes nacionalidades. Parte da tripulação foi lançada ao mar com a explosão. Oito tripulantes foram levados ao hospital da cidade. Os feridos sofreram queimaduras de primeiro e segundo graus. Um tripulante morreu.

O navio foi naufragado a uma profundidade de 300 metros e distante 5,5 km da costa da praia de Barequeçaba.

Os moradores que presenciaram o acidente a época relembram o enorme susto e relatam a preocupação em relação ao fundeio dos navios no canal.

O empresário Fernando Barros, morador de Barequeçaba, estava na praia no dia do incêndio. “Meu amigo me avisou do fogo. Eu olhei e logo depois teve a explosão. Senti aquele deslocamento de ar. Em algumas casas quebraram vidraças. Parecia uma bomba atômica”, detalha.

O professor de esportes, Flávio Rabbath,  lembra do acidente. “Naquela noite estávamos em casa em Guaecá e ouvimos aquela explosão. Pensamos que eram fogos de artifício devido ao ano novo. Vimos a fumaça. Logo depois pegamos o carro e fomos até Barequeçaba. Havia muito fogo e fumaça!”, relembra.

Um morador que prefere não se identificar disse que estava iniciando a construção de sua residência, quando o navio explodiu defronte a casa dele e os pedreiros da obra testemunharam. “Sempre questionei a proximidade (da costa) que estes petroleiros fundeiam. Logo após o término da construção da minha casa, em 1995, houve um vendaval e um petroleiro fundeado se arrastou e quase bateu nas rochas. Numa outra ocasião, um petroleiro fundeou tão próximo de minha casa que minha mulher ouvia a tripulação falando!

Ele defende que os moradores se unam para fazer algo. “Temos que lutar para que os navios sejam fundeados mais afastados da Costa e da boia existente. Sinceramente não vejo porque não, pois o canal de navegação fica mais próximo da Ilhabela do que o do lado de São Sebastião, indaga.

Marinha do Brasil

O Portal Tamoios News questionou a Marinha sobre o acidente com o navio Alina P e sobre a fiscalização nos dias de hoje dos navios que ficam fundeados no canal de São Sebastião.

O Capitão de Fragata Adriano Vieira, Delegado da Capitania dos Portos de São Sebastião,  informou que foi acordado pelo Tribunal Marítimo, que a explosão e incêndio do Navio Alina P ocorreu após a operação de descarregamento do produto que levava, devido a falta de manutenção nas anteparas transversais do navio, as quais estavam enferrujadas e deram passagem a gases provenientes dos tanques.

E informou que a Marinha fiscaliza os navios que se destinam ao porto de São Sebastião: “Essa fiscalização é realizada pelo Grupo de Vistoria e Inspeção da Delegacia e envolve desde a parte de documentação do navio e dos tripulantes, até a fiscalização dos itens de segurança, salvatagem, combate a incêndio e parte estrutural da embarcação. Tal ação tem o intuito de garantir o cumprimento do tripé de competência da Marinha, qual seja, Segurança da Navegação, prevenção da Poluição Hídrica no Mar e Salvaguarda da vida humana no mar”.